Páginas

terça-feira, 3 de abril de 2012

Conhecimento: As flutuações diárias do campo magnético da Terra

Quando observamos uma bússola apontar no sentido dos polos magnéticos podemos acreditar que esse alinhamento permanece fixo o tempo todo, mas isso não é correto. Uma análise mais cuidadosa revelará que o ponteiro da bússola oscila quase que imperceptivelmente, durante 24 horas por dia.

Essa oscilação natural é causada pelas variações diárias do campo magnético terrestre e dependendo da hora do dia podem provocar desvios nas bússolas de até dois décimos de grau, tanto para o leste como para o oeste.
Esse fenômeno tem origem a mais de 100 km de altitude e é provocado principalmente pela ionização das camadas superiores da atmosfera. Ali, em uma região chamada ionosfera, emissões altamente energéticas provenientes do Sol no comprimento de onda do ultravioleta e dos raios-x deslocam os elétrons das moléculas neutras do ar (ionização), produzindo partículas carregadas que são conduzidas pelo ar.
Nos momentos próximos ao meio-dia, o Sol age com muita intensidade e gera mais correntes elétricas na ionosfera. Nos períodos noturnos, a ausência da radiação ionizante faz as cargas se recombinarem nas moléculas neutras, reduzindo a habilidade do ar em conduzir eletricidade, praticamente cessando o fenômeno.

Por outro lado, a luz do Sol não causa apenas a ionização do ar, mas também o aquece provocando ventos de marés térmicas.
Esses ventos se combinam com os ventos de maré criados pela atração gravitacional do Sol e da Lua e transformam a ionosfera em um verdadeiro dínamo gigante, gerando correntes que fluem pela ionosfera através do campo magnético da Terra na forma de dois loops fechados: um vórtice anti-horário no hemisfério norte e um vórtice em sentido horário no hemisfério Sul.
Esse movimento de correntes, junto ao movimento de rotação da Terra, produz as flutuações magnéticas vistas diariamente nas bússolas. O formato, tamanho e localização desses vórtices também explicam porque a variação magnética depende da latitude, já que a quantidade de radiação solar que incide sobre os hemisférios norte e sul varia de acordo com as estações do ano e também do ciclo solar.

Durante os períodos de baixa atividade solar, o desvio magnético diário não passa poucos décimos de grau, mas quando a ionosfera está submetida a um intenso bombardeio de partículas devido a uma explosão solar, desvios angulares entre 1 e 2 graus são facilmente observáveis e devem ser levados em consideração em sistema de navegação que utilizam bússolas em sua orientação.

2012:Tudo o que você precisa saber sobre o fim do mundo

À medida que internet se expande, mais informações passam a ser acessadas transformando o simples ato de navegar na rede na mais fantástica forma de disseminação do conhecimento jamais ocorrida na história da humanidade.

Apesar disso ser motivo de orgulho da nossa sociedade, a grande rede também contribui de forma assustadora na propagação do falso conhecimento, já que criar um blog com artigos pseudocientíficos, falsos ou alarmantes é a coisa mais fácil do mundo.
Um dos assuntos preferidos desses blogs - e até de sites maiores - é o Fim do Mundo, previsto para acontecer em 21 de dezembro de 2012. Esse "evento" será provocado por uma série de acontecimentos coincidentes, confusos e desconexos, mas não menos fantásticos e lucrativos, aliás, muito, muito lucrativos.
Segundo esses blogs, parece que tudo acontecerá ao mesmo tempo em 2012, data em que todas as forças naturais ou ocultas do Universo se juntarão contra nosso planeta e o destruirão, dando início à uma Nova Era ou à extinção da humanidade, não se sabe bem o que.

Forças Ocultas
De acordo com o previsto, em dezembro de 2012 ocorrerá um alinhamento de planetas, com a Terra se alinhando com o centro da Galáxia. Quando isso ocorrer, forças até então desconhecidas criarão fenômenos naturais que o Homem jamais experimentou, com mortes e destruição em escala gigantesca.
Além do alinhamento planetário, nosso Sol também entrará em um período de atividade magnética sem precedentes, disparando partículas solares contra a Terra. Esse intenso bombardeio cósmico destruirá equipamentos e fulminará os seres vivos, já que a magnetosfera protetora terá sido extinta pelas forças naturais criadas pelo alinhamento.
Como se não bastasse, tudo isso será tremendamente amplificado pela inversão do campo magnético da Terra, que fará o planeta girar ao contrário, fenômeno esse que será provocado pelo alinhamento ou pelo choque do planeta Nibiru ou Hercólubus, que se aproximam do nosso planeta em rota de colisão inevitável.
Todo esse cataclismo varia tremendamente entre um blog ou outro, não havendo coerência entre os fatos narrados, que podem mudar de acordo com a interpretação de quem escreve ou lê. No entanto, todos se alicerçam em um fato em comum e alardeado como a mais pura verdade da humanidade: A Profecia Maia do Fim do Mundo.

Saindo das Trevas
Antes de trazer luz aos fatos, é importante destacar que tudo que foi mostrado acima não tem qualquer embasamento científico e sob esse ponto de vista não há qualquer evento previsto para acontecer em dezembro de 2012. Filmes, textos e programas de televisão que afirmam o contrário devem ser vistos apenas com o propósito da diversão e entretenimento, que como dissemos no início do artigo, são bastante lucrativos!

Qual a origem? Porque 2012?
Ao que tudo indica, toda essa história começou com o alerta de que Nibiru, um hipotético planeta descoberto pelos Sumérios há mais de 4 mil anos irá se chocar contra a Terra. A catástrofe estava inicialmente prevista para acontecer em maio de 2003, mas como nada aconteceu o dia do Juízo Final foi mudado para dezembro de 2012. Essa data foi escolhida por marcar um importante ciclo do Calendário Maia, que por pura coincidência termina exatamente no solstício de verão de 2012, no dia 21 de dezembro.

Quem eram os Maias?
Os Maias formavam uma civilização mesoamericana que atingiu o ápice do desenvolvimento entre 250 D.C e 900 D.C e é considerada como uma das mais dinâmicas sociedades do mundo pré-colombiano.

Os Mais eram excelentes astrônomos e observadores e mapearam com bastante precisão as fases e movimentos de diversos corpos celestes, especialmente a Lua e Vênus. Além disso, desenvolveram um complexo e preciso sistema de medição de tempo baseado em dois calendários principais chamados Tzolk'in, de 260 dias e Haab', de 365 dias, mas nem um dos dois numerava os anos.

O Calendário Maia
Para formar uma data os Maias faziam combinações entre um símbolo Tzolk'in e um símbolo Haab' e esse sistema era suficiente para satisfazer a maior parte da sociedade, já que qualquer combinação não se repetia antes de 52 anos, tempo bem maior que a expectativa de vida comum da época. Este período era conhecido como um Ciclo de Calendário e era sempre marcado por tensões e má sorte entre eles, que aguardavam ansiosos para ver se os deuses concederiam outro ciclo de 52 anos.
Apesar de ser um método engenhoso de contar os dias, o calendário de 52 anos não permitia aos Maias datar longos períodos de tempo e para isso era usado o calendário da contagem longa, de base 20.
A palavra Maia para dia era k´in. O período de 20 k´ins era chamado de Winal e 18 Winals, o equivalente a 360 dias, era chamado de tun. 20 tuns eram chamados de K´atun (19.7 anos) e 20 k´atuns eram chamados de B´ak´tun e equivalia a 394.3 anos. Se achou um pouco confuso a tabela abaixo ajuda a compreender.


Por que 2012?
Ao que tudo indica, toda a mística envolvendo o ano de 2012 se deve a uma interpretação errônea desse calendário, aliada à algumas coincidências verdadeiras e outras inventadas ou manipuladas.
No primeiro caso, não se sabe se por ignorância ou má fé, consideraram o último dia do 13º b´ak´tun (21 de dezembro de 2012) como a data derradeira do calendário, mas isso não é correto. Da mesma forma como nossa contagem não termina em 31 de dezembro, a contagem maia também não finaliza no 13 b´ak´tun, pois ainda se seguirão os b'ak'tuns 14º a 20º, continuação natural do calendário da contagem longa de base 20.

Má Fé
Segundo a pesquisadora Sandra Noble, diretora executiva da organização de pesquisa mesoamericana FAMSI, a apresentação de dezembro de 2012 como um evento de fim de mundo ou uma grande mudança cósmica é uma completa invenção e uma chance de muita gente ganhar dinheiro. "Usaram de má fé e ignoraram completamente a continuação do calendário de contagem longa. Não me surpreenderei se em janeiro de 2013 essas mesmas pessoas anunciarem uma nova data de fim do mundo", disse Noble.

Alinhamento
Com relação às coincidências, a primeira delas é que em 21 de dezembro o Sol atinge a maior declinação medida a partir da linha equador, quando se inicia o verão no hemisfério sul e inverno no hemisfério norte. Além disso, em 2012 estaremos praticamente no ápice do ciclo da máxima atividade solar, com maior quantidade de tempestades geomagnéticas ocorrendo no planeta. Juntando essas duas coincidências ao fato de que em 21 de dezembro sempre ocorre o segundo "alinhamento" anual entre o Sol, Terra e centro galáctico, fica fácil entender por que essa data foi escolhida.

Além das coincidências mostradas, 21 de dezembro de 2012 é a data que os místicos elegeram para o impacto do hipotético planeta Nibiru contra a Terra e também de uma alardeada abrupta mudança na orientação dos polos magnéticos da Terra.
Como foi dito no início do artigo, de acordo com os místicos parece que tudo acontecerá ao mesmo tempo em 2012. As consequências não são claras e cada defensor de uma teoria aponta rumos diferentes para os acontecimentos que se sucederão após 21 de dezembro de 2012, desde a destruição total do planeta até o início de uma Nova Era. No entanto, essa visão não é compartilhada pela ciência, que se baseia em fatos concretos e não em profecias ou ilusões.

Posição da Ciência
Com o objetivo de trazer um pouco de luz sobre o assunto, preparamos uma série de respostas de como a ciência enxerga as coincidências mostradas e o que de fato pode acontecer em 2012 sob esse ponto de vista. Perguntas como "Nibiru vai se chocar contra a Terra?" ou "Os polos magnéticos vão se inverter?" serão respondidas de forma simples e objetiva, sem muito tecnicismo.
Nossa intenção não é fazer com que as pessoas que tenham opinião contrária, mudem de opinião. Isso é praticamente impossível. Nosso objetivo é apenas mostrar a verdade científica para aqueles que ainda têm dúvidas sobre o assunto ou que nunca ainda tenham ouvido falar sobre ele.

Fatos e Mitos sobre 2012
Existem diversos sites e blogs dizendo que o mundo vai acabar em 2012. O que vai acontecer?
Nada de diferente ou de ruim vai acontecer com a Terra nesse dia. Não existe nenhuma catástrofe prevista pela ciência, nem planetas em rota de colisão, nem asteroides se aproximando a toda velocidade. Não existe nenhum fato científico que mostre que o mundo vai acabar em 2012.

É verdade que vai acontecer um alinhamento planetário em 2012?
Não, isso não é verdade. O que vai acontecer em 21 de dezembro de 2012 será o "quase alinhamento" entre a Terra, o Sol e o centro da Galáxia, mas é muito importante lembrar que isso ocorre todos os anos nessa época do ano e não apenas em 2012.
O suposto "alinhamento" também acontece em 21 de junho, quando a Terra está na posição contrária da órbita com relação a dezembro, ficando entre o Sol e o centro da Via Láctea. Essa disposição ocorre há milhões de anos e não constitui nenhuma novidade. Com relação aos outros planetas, nem de longe a posição deles em 21/12/2012 se assemelha a um alinhamento, conforme mostra a carta celeste.

Existe mesmo um planeta chamado Nibiru ou Planeta-X que vai se chocar com a Terra?
Nibiru é o nome de um suposto planeta proposto pelo escritor Zecharia Sitchin. Segundo ele, o planeta já era conhecido pelos Sumérios há mais de 5500 anos e tem um período orbital de 3600 anos.
No entender dos seguidores de Sitchin, Nibiru se aproximaria de novo em 2003, mas como nada aconteceu mudaram a data para 2012. Em 2008 diziam que já era possível vê-lo a olho nu a partir de 2009, mas como ninguém o observou até agora o assunto ficou meio esquecido.
Nibiru e outras histórias não passam de "pegadinha de internet" e antes do advento da rede mundial de computadores ninguém falava nesse assunto, que tomou fôlego a partir do final da década de 1990.
Não existe qualquer base científica para a afirmação da existência de Nibiru. Caso o planeta realmente existisse, astrônomos do mundo inteiro já o teriam visto e calculado sua órbita. Não seria necessário supertelescópios nem agências espaciais, apenas observações normais que qualquer pessoa pode fazer.
Com relação ao Planeta-X, esse é o nome que se dá a qualquer corpo hipotético que possa causar perturbações gravitacionais em outros objetos, mas que ainda não tenha sido descoberto. Plutão, por exemplo, já foi chamado de Planeta-X. Eris e Ceres também.
Atualmente, alguns cientistas especulam sobre a possibilidade de um objeto de grande dimensão localizado há mais de 1 ano-luz de distância (9 trilhões de km), nas proximidades da nuvem de Oort. A existência desse objeto foi proposta em 1999 pelo astrofísico John J. Matese, da Universidade de Louisiana, a partir de perturbações gravitacionais exercidas em cometas localizados no interior da Nuvem, mas até agora não foram encontradas provas de sua existência.

Os polos da Terra vão se inverter?
Muito se fala sobre a inversão dos polos magnéticos da Terra. Alguns dizem que eles se inverterão abruptamente, enquanto outros afirmam que quando isso acontecer a catástrofe será total.

Ao que tudo indica, desde que a Terra existe os polos magnéticos já trocaram de posição por diversas vezes. Essa informação foi obtida após a análise dos minerais ferromagnéticos contido nas rochas, que mostraram que essas inversões ocorrem em intervalos não regulares de cerca de 250 mil anos. No entanto, não existe qualquer comprovação de que isso oconteceu abruptamente, com exceção de algumas localidades do planeta que ainda estão sendo investigadas.
Segundo os geofísicos, as inversões do campo magnético são muito lentas e neste exato momento estamos passando por uma delas. Isso significa que em 250 mil anos os polos magnéticos poderão estar em lugares opostos ao que estão hoje.
Assim sendo, não há nenhum risco de que isso acontecerá em dezembro 2012.

O eixo da Terra poderá mudar de inclinação?
É importante explicar que a inclinação do eixo da Terra foi determinada há milhões de anos, quando todo o Sistema Solar ainda estava em formação. Não se sabe exatamente como isso aconteceu, mas acredita-se que foi devido ao choque com algum dos inúmeros asteroides que rodeavam nosso planeta naquela época.
Para que o eixo da Terra seja abalado é necessária uma força descomunal, inimaginável. Nenhuma força terrestre conhecida tem capacidade de alterar essa inclinação. Isso só seria possível se algum objeto muito grande, de dimensões planetárias, se chocasse contra a Terra e até agora os cientistas não tem conhecimento de qualquer objeto que esteja vindo em nossa direção.

A Atividade Solar está aumentando?
O Sol passa por períodos de alta e baixa atividade a cada 11 anos, chamados mínimos e máximos solares. Os cálculos mostram que o próximo máximo solar ocorrerá em março de 2013 e até lá deveremos observar momentos de muita instabilidade na estrela.

Em 2012 poderemos presenciar diversas tempestades solares, com efeitos na Terra que podem ir desde simples auroras boreais até avarias e blecautes elétricos, além de falhas nas radiocomunicação e panes em sistemas eletrônicos, especialmente satélites.
Responsável por milhões de dólares de prejuízo todos os anos, as tempestades solares são comuns e a cada dia novas medidas são tomadas na proteção e prevenção dos patrimônios sujeitos a esses fenômenos.
Apesar de possíveis prejuízos, cenários como aqueles apresentados em documentários, em que os humores do astro-rei causam blecautes mundiais que beiram o Armageddon, não passam de obra de ficção.

sábado, 31 de março de 2012

Cientista acredita que pode chover micróbios em lua de Saturno

Dados coletados pela sonda interplanetária Cassini revelaram enormes erupções de material orgânico na lua saturniana Enceladus. Segundo pesquisadores, esses jatos podem vir de um vasto oceano subterrâneo repleto de micro-organismos, localizado na única zona habitável acessível do Sistema Solar.

"Mais de 90 jatos de todos os tamanhos observados próximos ao polo sul de Enceladus estão pulverizando vapor de água, partículas de gelo e compostos orgânicos para todo lado", disse a cientista Carolyn Porco, líder da equipe de sensoriamento remoto da nave espacial Cassini junto ao Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, JPL.
"A Cassini orbitou o local várias vezes e fez diversas análises desse material. Descobrimos que além de água e material orgânico, existe sal nas partículas de gelo, com salinidade igual a dos oceanos da Terra", disse Carolyn. "Além disso, registros feitos pela sonda nas fissuras da lua revelaram temperaturas ao redor de 84 Celsius negativos. Esse é um valor muito alto e se você somar todo o calor, cerca de 16 gigawatts de energia térmica estão saindo das rachaduras de Enceladus", disse a cientista.
No entender da pesquisadora, o mar de líquidos abaixo da superfície, aliado a compostos orgânicos e uma fonte de calor permitem hospedar o mesmo tipo de vida que encontramos em ambientes similares aqui na Terra.
"O ambiente de Enceladus pode ser parecido com aqueles que existem no fundo do nosso próprio planeta. Calor abundante e água em estado líquido são encontrados em rochas vulcânicas no subterrâneo da Terra e os organismos nessas rochas prosperam em dióxido de carbono e hidrogênio que é produzido pela reação química entre a água líquida e as rochas quentes. Em seguida, o metano produzido é reciclado novamente em hidrogênio. Esse processo acontece totalmente na ausência de luz solar ou qualquer coisa produzida pela luz solar", explicou Porco.

Chuva de Micróbios
Apesar da teoria da existência desses micro-organismos não ter sido provada ou descartada, Carolyn Porco acredita que os testes poderão ser feitos em pouco tempo, já que a zona habitável de Enceladus é relativamente fácil de ser estudada.

"O material está sendo ejetado no espaço diariamente. Pode parecer loucura, mas neste momento pode estar nevando micróbios na superfície de Enceladus!", vibra Carolyn, que explica: "Esse é o lugar mais promissor que conheço para uma pesquisa astrobiologia. Não precisamos fazer qualquer furo na superfície, basta voar dentro da pluma ejetada. E se pousarmos na superfície, basta olhar para cima e colocar a língua pra fora", brinca a estudiosa.

Calor e torções
Os estudos atuais mostram que a fonte de calor de Enceladus é o próprio planeta Saturno, que com sua força gravitacional faz com que a forma da lua seja modificada diariamente à medida que orbita o gigante gasoso. A influência gravitacional produz flexões e movimentos no interior da lua que geram calor, da mesma maneira que ocorre quando você dobra um clipe de papel para frente e para trás.
Esse movimento é conhecido como flexão de maré, mas segundo Porco essa dinâmica não é suficiente para explicar todo o calor que está atualmente saindo de Enceladus. "Uma saída para esse dilema é assumir que parte do calor observado hoje foi gerado e armazenado internamente no passado".
Porco acredita que a órbita de Enceladus poderia ter sido muito mais excêntrica do que é hoje, o que resultaria em variações estruturais que produziriam mais calor. Neste cenário, o calor teria sido armazenado dentro da pequena lua e derretendo parte do gelo responsável pela recarrega do líquido que está abaixo da superfície.
"Agora que a excentricidade da órbita diminuiu, o calor que emana do interior é uma combinação do calor produzido hoje e no passado. Mas como o calor que está saindo atualmente é maior do que está sendo produzido, acreditamos que Enceladus pode estar em fase de arrefecimento e a água líquida está retornando na forma de gelo. Alguns modelos mostram que Enceladus nunca congela totalmente, de modo que a excentricidade da órbita pode aumentar novamente, reiniciando o ciclo”.
Para confirmar essas teorias, mais dados serão necessários e Porco tem um plano de ação simples e imediato para obtê-los. "Precisamos voltar a Enceladus e checar".

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pode o asteroide 2012 DA14 se chocar contra a Terra em 2013?

Começa a circular na internet um novo boato de que um grande asteroide deverá se chocar contra nosso planeta em 2013. Como o boato deverá se espalhar à medida que o tempo passa, preparamos esse artigo com objetivo de esclarecer nossos leitores, curiosos em entender melhor o que está acontecendo.

Antes de falar sobre o asteroide, é importante destacar que todo ano é divulgada uma nova possibilidade de ameaça contra nosso planeta. São explosões solares intensas, cometas controlados por entidades secretas, sons estranhos vindos do céu ou então terremotos induzidos pelos americanos através do Projeto Haarp.
Até hoje, não se sabe exatamente como esses boatos começam, mas não há qualquer dúvida de que se espalham com muita rapidez. Para piorar as coisas, quase sempre a informação se propaga de forma equivocada, alicerçada por dados científicos quase sempre vindos de fonte duvidosa ou inexistente.

2012 DA14
Agora, a bola da vez é o asteroide 2012 DA14, descoberto no final de fevereiro por astrônomos do Observatório Astronômico de La Sagra, na Espanha. O objeto tem aproximadamente 45 metros de diâmetro e sua órbita é muito parecida com a terrestre. Quando foi descoberto, se localizava a cerca de 2.5 milhões de km do nosso planeta, seis vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Os gráficos orbitais mostram que 2012 DA14 passa a maior parte do seu tempo bem distante do nosso planeta. No entanto, o caminho que a rocha percorre no espaço a traz para perto da Terra duas vezes por orbita. Isso acontece a cada seis meses e a última vez que essa aproximação ocorreu foi em 16 de fevereiro de 2012, o que permitiu sua descoberta.

Próxima aproximação
Em 15 de fevereiro de 2013 ocorrerá a próxima aproximação entre a Terra e 2012 DA14 e de acordo com cálculos feitos recentemente, a menor distância entre os dois objetos será de aproximadamente 27 mil quilômetros. Apesar de ser uma distância bem pequena - inferior a dos satélites geoestacionários - as chances de impacto contra a Terra são desprezíveis, estimada em zero na Escala Torino, que vai até 10.
Estima-se que 2012 DA14 tenha uma massa de 120 mil toneladas. Se atingisse nossa atmosfera, produziria um choque similar ao do impacto de Tunguska, ocorrido no início do século 20 acima dos céus da Sibéria.

Aproximações futuras
Se a distância do asteroide em 15 de fevereiro de 2013 permite classificar as chances de impacto como zero na Escala Torino, como serão as probabilidades futuras?
Responder a essa pergunta não é tão fácil como parece e depende de inúmeros fatores. Quanto maior o número de observações feitas pelos astrônomos, maior é a precisão do calculo orbital do objeto. Até 5 de março, segundo o Centro para Objetos Próximos à Terra, NEO, da Nasa, a possibilidade de impacto entre 2020 e 2057 se mantinha em zero, apesar de previsão de distâncias ainda menores que fevereiro de 2013.
A partir de 2020 até 2057, 2012 DA14 fará uma série de rasantes bem próximos à nossa atmosfera. Em 15 de fevereiro de 2026, por exemplo, estima-se que a rocha passará a apenas 890 km de distância e em 2033 essa distância será ainda menor, de 512 km. Em 16 de fevereiro de 2040 o asteroide chegará ao menor valor previsto, de apenas 448 km.
Muito embora sejam valores muito próximos de nossa atmosfera, as chances de impacto, segundo o NEO, permanecem em zero. No entanto, à medida que mais observações forem feitas novos resultados deverão ser divulgados, aumentando ou diminuindo o risco de colisão.
No momento, a única afirmação correta é que não há qualquer chance de impacto para fevereiro de 2013. Para os outros anos, ainda é muito cedo para qualquer afirmação.
Apenas para situar melhor o leitor, em outubro de 2008 o asteroide 2008 TS26 chegou a apenas 6150 km e em março de 2004 a rocha 2004 FU162 passou a 6535 km de distância.

Sem GPS, cientistas desenvolvem sistema para navegação lunar

Para alguns, imaginar a tarefa de se localizar sobre a Terra há alguns anos, sem equipamentos de GPS, é quase impossível. Afinal, esses aparelhinhos permitem, só de olhar, conhecermos nossa posição exata sobre qualquer ponto do planeta, além de fornecerem mapas cada vez mais detalhados do terreno ao redor.

Há dez ou quinze anos, para sabermos nossa posição eram necessários uma série de dados, entre eles mapas, bússolas, transferidores, réguas e uma boa dose de conhecimento do uso desse material. Além disso, a precisão da informação era bem menor que a obtida atualmente. Se voltarmos no tempo 100, 200 ou até 500 anos veremos que os exploradores do passado eram pessoas bastante conhecedoras das suas tarefas e tinham um grande conhecimento sobre como se localizar.
Com o crescente interesse dos países desenvolvidos em reconquistar a Lua e ali construir bases permanentes, o problema de se localizar com precisão voltou a rondar a cabeça dos cientistas. Afinal, como os astronautas saberão onde estão se na Lua não tem GPS?
Para solucionar esse problema, um grupo de cientistas ligados à Universidade de Ohio, EUA, estão desenvolvendo uma nova tecnologia que deverá auxiliar os astronautas a navegar na Lua e é baseada na mesma empregada nos jipes-robôs que hoje navegam na superfície de Marte.

Sem GPS
Como a colocação de dezenas de satélites em órbita da Lua, a exemplo do GPS, é financeiramente inviável, o sistema proposto será baseado em uma série de tecnologias que envolve desde a emissão de rádio-sinais da superfície da Lua até câmeras em três dimensões e sensores orbitais de imagens. Para o desenvolvimento a Nasa está injetando a quantia de 1.2 milhão de dólares pelos próximos três anos.
"Quando estiver pronto, o sistema se parecerá muito com o GPS usado aqui na Terra", disse Rongxing Li, autor do projeto e professor de engenharia e ciências geodésicas da universidade de Ohio. De acordo com Li, que também é co-autor dos softwares que rodam nos jipes Spirit e Opportunity, em atividade na superfície de Marte, o uso combinado de sensores, navegação inercial (baseada em giroscópios) câmeras 3-D e processadores de última geração, fará as próximas viagens à Lua muito mais fáceis para os astronautas.

Segurança
As pessoas usam certos "truques" visuais para estimar distâncias, como o tamanho dos prédios, sombras ou carros próximos ao horizonte, mas na Lua essas referências não funcionam. Perder-se ou estimar erroneamente os objetos distantes é muito fácil e extremamente perigoso. Durante as missões Apollo diversos incidentes fizeram os astronautas suspenderem as caminhadas exploratórias. Crateras que estavam a poucos metros de distância eram simplesmente invisíveis devido ao terreno e chegar a elas poderia colocar em risco a segurança da missão.
Manter a segurança dos astronautas é a prioridade máxima da equipe de Li. Além de peritos nas áreas de engenharia, também fazem parte psicólogos e especialistas na interação entre homem e máquina. "Nosso objetivo é a navegação na Lua, mas a saúde dos astronautas terá papel decisivo. Será preciso evitar ou diminuir ao máximo o stress caso se percam ou sintam-se frustrados com o desempenho do equipamento. A navegação lunar não é só um problema de tecnologia, mas também um problema biomédico", explicou li.

Funcionamento
O sistema de Li, chamado LASOIS (Lunar Astronaut Spatial Orientation and Information System ou Sistema de Orientação e Informação Espacial para Astronautas Lunares), funciona através de imagens feitas a partir da órbita lunar combinadas com mapas topográficos da superfície. Sensores de movimento presentes nos veículos e também nas roupas dos exploradores permitirão aos computadores calcular a posição, enquanto rádios-sinais emitidos da superfície, do módulo de pouso e das estações-bases auxiliarão na composição tridimensional do cenário. Quando em uso, todas essas informações juntas fornecerão uma imagem semelhante àquela vista pelos navegadores quando usam um GPS aqui na Terra.
Segundo Li, os dados de posicionamento poderão ser consultados através de terminais presos aos braços dos astronautas e serão acessados de qualquer ponto da superfície lunar.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Novos estudos desafiam teoria atual de formação da Lua

A teoria vigente diz que nosso satélite se formou após o impacto de um grande objeto contra a Terra, mas uma descoberta recente mostra que existe muito mais material terrestre na Lua do que os estudos mostravam, colocando em xeque a teoria do choque cataclísmico.


A corrente de pensamento atual sugere que a Lua foi criada depois que um objeto do tamanho de Marte, chamado Theia, colidiu contra o nosso planeta há 4,5 bilhões de anos e que mais de 40 por cento da Lua é constituída por restos desse corpo impactante.
Os pesquisadores esperavam que este objeto fosse quimicamente diferente da Terra, mas os estudos anteriores mostravam que a Lua e a Terra eram muito mais parecidas do que deviam quando estudados a partir dos isótopos de alguns elementos e isso contrariava o modelo do impacto de Theia, atualmente aceito.
Para comparar ainda mais a Lua e a Terra, pesquisadores da Universidade de Chicago analisaram isótopos de titânio encontrados nas rochas dos dois objetos e descobriram que a relação dos isótopos de titânio encontrados em 24 amostras lunares retornadas pelas missões Apollo eram diferentes daquelas encontradas na Terra.

Intrigado, o geoquímico Junjun Zhang, ligado ao Centro de Chicago para Cosmoquímica suspeitou que alguma coisa estava alterando a relação de isótopos encontrados nas amostras lunares e concluiu que essa alteração era compatível com o bombardeio de raios cósmicos vindos do espaço profundo. Para Zhang, após colidirem com a Lua os raios cósmicos geram nêutrons que são absorvidos pelos átomos de titânio, alterando a relação de isótopos do elemento.
Após fazer as devidas correções em seu modelo, Zhang confirmou que a relação de isótopos encontrados nas rochas lunares e terrestres era quase a mesma, sugerindo que a Terra e Lua são muito mais parecidas do que se acredita.
"Parece improvável que Theia seja quase idêntica isotopicamente à Terra. Por isso, se Theia fosse de fato um maior contribuinte de material, nossa Lua deveria diferir substancialmente da Terra, mas não é isso que encontramos", disse Zhang, que teve seu trabalho publicado na edição 25 da revista Nature Geoscience.

Outros Estudos
No entanto, as semelhanças entre a lua e a Terra também podem ser explicadas pela intensa mistura do material ocorrida após o impacto e que deixou grande parte do material de Theia enterrado sob a lua. Além disso, alguns cientistas especulam que a Lua seja constituída quase que totalmente do material Terra que foi ejetado a partir do movimento de rotação criado depois de um impacto gigante.

Duas Luas
Outros estudos recentes sobre a Lua podem influenciar na interpretação dos resultados do trabalho de Zhang. "Alguns colegas sugerem, por exemplo, que a Terra teve duas luas que coexistiram por um breve período e que colidiram entre si. Se assim for, talvez a composição isotópica da Lua perdida fosse semelhante à da Terra, o que explicaria as semelhanças encontradas", explicou Zhang.
Para entender melhor as semelhanças encontradas, Zhang e seus colegas esperam as próximas medições de isótopos de outros elementos, como cálcio, que sem dúvida contribuiria para entender melhor a história da nossa Lua.

domingo, 25 de março de 2012

O sol

UV 304 A
 

Lasco C2
 

Lasco C3
 

Manchas Solares
 

Explosão Solar e Tempestades Geomagnéticas
Tempestade SolarExplosão Solar
Também chamada de erupção, flare ou rajada, a explosão solar acontece quando uma gigantesca quantidade de energia armazenada em campos magnéticos, geralmente acima das manchas solares, é repentinamente liberada.
Os flares produzem forte emissão de radiação que se espalha por todo o espectro eletromagnético e se propaga desde a região das ondas de rádio até a região dos raios X e raios gama.
Como consequência das explosões solares temos as chamadas Ejeções de Massa Coronal ou CME, enormes bolhas de gás ionizado com mais 10 bilhões de toneladas, que são lançadas ao espaço a velocidades que superam facilmente a marca de um milhão de quilômetros por hora.

Classificação
Quando observadas dentro do espectro de raios-x, entre 1 e 8 Angstroms, os flares produzem um intenso brilho ou clarão e sua intensidade que permite classificar o fenômeno.
Os flares de Classe X são intensos e durante os eventos de maior atividade podem provocar blackouts de radiopropagação que podem durar diversas horas ou até mesmo dias. Em casos extremos podem causar colapso em sistemas de distribuição de energia elétrica, panes em satélites, destruir transformadores e circuitos eletrônicos.
As rajadas da Classe M são de tamanho médio e também causam blackouts de radiocomunicação que afetam diretamente as regiões polares. Tempestades menores muitas vezes seguem as rajadas de classe M.
Por fim existem as rajadas de Classe C, fracas e pouco perceptíveis aqui na Terra.

Tempestades Geomagnéticas
Depois de ejetadas, as partículas levam aproximadamente três dias para cruzar os 150 milhões de quilômetros que separam o Sol do nosso planeta.
aurora borealQuando atingem cerca de 60 mil km de altitude, as partículas são desviadas pela magnetosfera terrestre em direção aos polos. Na atmosfera superior dessas regiões elas se chocam com os átomos de oxigênio e nitrogênio e produzem radiação nos comprimentos de onda do verde e do vermelho respectivamente.
Esse efeito luminoso é chamado aurora (foto ao lado).
Quanto maior a atividade solar, mais intensas são as auroras, que recebem o nome de boreais quando ocorrem próximas ao polo norte e austrais quando próximas ao polo sul.
Normalmente, as auroras ocorrem entre 60 km e 150 km de altitude.

Prejuízos
Anualmente, as explosões solares são responsáveis por aproximadamente 1 bilhão de dólares em prejuízos e quem mais sofre com essas perdas são as concessionárias de energia elétrica e equipamentos de satélites, que por estarem em órbita não recebem a proteção das camadas mais altas da atmosfera, que bloqueiam as partículas solares, principalmente os raios-x.